Nome: Gica
Idade: 24
Esperançosa por conseguir ouvidos, olhos e boca seletivos; masoquista; notívaga; consumidora compulsiva das artes; tentando não me tornar conformista.
Observação importante: Iluminação em tons amarelos me deprime extremamente.

E-mail: gisele_sena@yahoo.com.br

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Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Não lembro agora o que me fez voltar e ler posts antigos do blog, mas achei um muito bizarro de 2006. Eu tinha 19 ou 20 anos, e não sei ao certo se estava bêbada ou só era assim mesmo, mas gostei de lembrar de quando vi "O Sétimo Selo" com o pessoal da faculdade, e de quando ainda não havia experimentado Gin (que é horrível, por sinal). Bom, respostando então:


- - Outubro de 2006 - -

"Acho que meu nariz está sangrando.

Não, era impressão.

Bueno, o mundo não acabou. Pelo menos não recebi notícia nenhuma a respeito até agora. Vou olhar a página do Terra.

Nada mesmo. Bom, fora um bebê que morreu afogado num balde no interior de São Paulo. O mundo acabou pra ele. Eu sobrevivi de novo.

Assisti um concerto de três violões hoje (uma singela e deliciosíssima homenagem aos 100 anos que faria Radamés Gnattali). Tudo fascinante, tirando a sensação de olhar em volta e não reconhecer a cidade onde moro. Por sorte uma garota da fila de trás me situou bastante! Gentilmente [na base da porrada] acompanhando a mãe, tecia comentários tão campograndenses como: "Ai que chato!", "eles não acabam nunca não?". Mas há 3 dias [3 ou 4?], pensando sobre isso, percebi que o grande problema não são as pessoas da cidade (calma CG, você não vai se livrar assim tão fácil), mas a própria condição física da raça humana. Não vou filosofar tão a fundo nas minhas divagações, mas não acredito mais que nós, na condição de arianinhos 3% conscientes, podemos ir tão longe.

Não seja por isso, já marquei com o Teo e a Ju, nos anéis de Saturno, algum tempo depois daquele acampamento que estamos nos devendo na Montanha. Com certeza lá eu não vou precisar mexer os dedos tanto assim pra que vocês entendam o que se passa aqui dentro. Segundo o Marcelinho, Os anéis de saturno são gasosos. Está aí a nossa chance! Nada mais etéreo que ser gasoso! [nossa, cadê a Ju com esse Gin?].

Por falar em Gin [é normal entrar no assunto do texto falando a respeito dos comentários entre colchetes?], os charutos estão aqui. Pensei em acender, mas o ar-condicionado vai deixar tudo fedido por 1 semana e não estou tão tropega a ponto de não pensar num futuro tão próximo e palpável quanto o dessas paredes arroseadas horríveis.

Ar-condicionado é? É, eu posso morrer de reação alérgica, mas não quero nadar no flegetonte messssmo! E o meu ventilador de hélices empoeiradas azuis está com a Dani e o Bruce. Bruce, que nome diferente! A Ju e eu concordamos que é surreal ter um cunhado chamado Bruce! Me sinto num filme comercial americano! Pena que não tenho mais uma cadela chamada Charlote!

Será que a morte não aceitaria jogo da velha? E jogo dos pontinhos? A Ju sempre perde pra mim, ela não é muito boa.

Acho que ela nem comprou o Gin. (com m ou com n, não lembro agora. também nunca tomei gim n m n m n). Esqueci o refrigerante no congelador

Pronto, nem congelou, só não gostei de passar no corredor enorme e escuro. Deve ter uns 8 metros e tem uma luz queimada. Pelo menos não tem mais nenhum gato malhado correndo pra lá e pra cá.

Não quero que amanheça. Quero que pare agora. Está bom assim, nem frio nem quente, sem luzes amarelas, com o vento balançando a rabiola da pipa na parede. Nossa, eu tenho uma pipa imensa pendurada na parede! Isso não é normal não!

Tem o tetragrammaton também, então estou um pouco melhor que a maioria, mas por que será que isso não me faz sentir melhor? Acho que é porque não sei em que nível estou. Os homossexuais estão no 8º nível. Estão altos! Só temos 9 níveis, ao menos neste planeta.
Pensando bem, não quero que pare agora não! Meu quarto não tem rodapés em todas as paredes. Em uma delas, tem um contreto marrom e velho esfarelando, com pedaços de papel de parede sujos. É muito decadente. Se parasse agora, eu teria que ficar aqui pra sempre. Não queria ficar aqui nem mais 5 minutos.

Não tenho uma cobra [e ninguém pra me desenhar nada, menos ainda se quisesse um carneiro], nem estou pronta pra ir.
E ainda dizem que estamos evoluindo! Se jogava xadrez, hoje se joga o jogo da cobrinha que come o pontinho preto do celular!
Preciso evoluir muito (muito com muitos is) antes de ir.

Estou com hiperfluxo mental, melhor fechar isso aqui antes que escreva muita asneira.
O superego ainda está aqui, ufa! O japa estava morrendo de sono, experimentou a vodka com leite e acordou do nada, e viu o resto do filme! Engraçado ver o japa bebendo, acho que foi a cena mais caótica da noite toda. Até mais que a morte careca e sem sobrancelhas parada num canto mal iluminado, olhando com olhos negros sem fundo. Ou fundos demais.

O fundo dos poços do Caio*"





*Caio Fernando Abreu.